Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
Nem sempre um gesto ou um rito indica o que se passa na mente e na vida da pessoa humana. Muitos querem a bênção mas sem a coerência de dar sustentáculo a seus efeitos. Por isso, uma coisa é dizer e outra é fazer. Há má intenção, por exemplo, de quem promete algo, mas só para enganar o semelhante ou conquistar sua adesão a um projeto, a uma eleição ou a um jogo de interesse econômico. Tudo isso ela faz para ludibriar o outro e obter vantagens, traindo sua confiança.
A formação da fé coerente é primordial para termos pessoas de palavra, ética, bom caráter, coerente com o seguimento a Cristo e atuante membro da comunidade. As conseqüências dessa boa formação se darão em todas as situações e convivências. Teremos, deste modo, autênticos cidadãos comprometidos com a justiça, as profissões exercidas com ética, a política de real e honesto serviço ao bem comum, famílias constituidas e desenvolvidas com verdadeira vocação de amor...
Não basta dizer-se cristã e fazer alguns atos religiosos para a pessoa ser abençoada. Aliás, a bênção ou ação amorosa de Deus se dá sempre, mesmo na incoerência humana. Mas ela tem o devido efeito com a prática do projeto de Deus: “ Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus 7, 21). Jesus lembra a necessidade de se colocar em prática suas orientações. Hoje muitos querem religiões assim chamadas “lights”, ou de pouca exigência. Querem que a Igreja abra mão de determinadas orientações fundamentadas na lei natural, na ética e na lei revelada de Cristo, conformando-se com a mentalidade pagã ou materialista. Porém, ninguém é obrigado a nada. A proposta de Deus é exigente, sem dúvida. Mas o caminho a seguir cada um vai escolher, ou seja, da bênção ou da maldição. É de bom alvitre seguir as boas orientações de quem nos quer bem, como nosso Criador. O próprio Jesus nos adverte de que o caminho proposto por Ele é exigente, mas é o único que conduz à vida plenamente realizadora, com o cume de felicidade imorredoura no eterno.
Paulo é claro e contundente ao chamar atenção dos que apregoavam o contrário do Evangelho: “Maldito aquele que anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que anunciamos, ainda que sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu” (Gálatas 1,8).
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