HAVANA, 17/03/2011 (ACI Digital) - Uma reportagem da cadeia inglesa BBC evidenciou os excessos aos que chega a prática do aborto despenalizado em Cuba, onde este procedimento se converteu em uma alternativa recorrente aos métodos anticoncepcionais e sua freqüência está causando sérios problemas de saúde às mulheres cubanas.
A reportagem publicada no último 10 de março, sustenta que "para a maioria das mulheres cubanas, a facilidade na hora de realizar um aborto é um direito ao qual não renunciam. Mas seu uso e abuso parecem estar fora de controle".
A Pesquisa Nacional de Fecundidade realizada 2009 pelo Escritório Nacional de Estatística (ONE), sustenta que "a alta prevalência destes eventos em Cuba levou especialistas a afirmarem que os cubanos na atualidade estão utilizando estes procedimentos como métodos anticoncepcionais, quer dizer, como alternativa ao não uso -ou ao uso incorreto- dos diferentes métodos".
Os especialistas consultados pela cadeia inglesa sustentam que as altas cifras de aborto mostram que as mulheres não conhecem os riscos deste procedimento para sua saúde.
Inclusive, o presidente da Sociedade Científica Cubana para o Desenvolvimento da Família (SOCUDEF), filial da transnacional abortista International Planned Parenthood Federation (IPPF), Miguel Sosa, admitiu à BBC que "Cuba considera o aborto como um problema de saúde e quer lutar para reduzi-lo".
"Em 2009, mais da metade dos casos de infertilidade em mulheres tinham como causa as seqüelas de um ou mais abortos, acrescenta Sosa" à BBC.
As cifras de aborto estão acompanhadas pelo envelhecimento da população cubana e cifras negativas de crescimento demográfico na ilha.
Yindra García se submeteu a nove abortos desde os 20 anos de idade, geralmente porque se "descuidou" no uso de métodos anticoncepcionais. Hoje tem 28 anos e decidiu pela primeira vez seguir com uma gravidez e ter o seu filho porque, afirma, "tinha medo de fazer outro aborto".
A reportagem da BBC destaca que as últimas cifras de aborto na ilha -que em 2009 chegaram a 84 687 procedimentos- mostram um número muito inferior em relação a 1986 quando praticou-se o dobro de abortos.
Entretanto, a BBC esclarece que desde 1989 Cuba começou a utilizar um tipo de aborto precoce sob o eufemismo de "regulação menstrual" e se realiza até as seis semanas de gravidez mediante a aspiração do útero. Estas "regulações" não são consideradas na taxa anual de abortos e não requerem do consentimento dos pais no caso de menores de 18 anos.
Para funcionários como Miriam Grant do Ministério de Saúde Pública, o país reduzirá os abortos se melhora a oferta de anticoncepcionais. O contraditório é que 77 por cento das mulheres em idade fértil -segundo as mesmas cifras oficiais de 2009- usa atualmente algum método anticoncepcional, o governo os oferece a preços muito baixos e realiza campanhas de educação sexual apoiadas nestes métodos desde a idade escolar.
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