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CNBB divulga nota sobre o momento atual do Brasil

 Foto: Elza Fiuza/ Agência Brasil
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quinta-feira, 10, durante coletiva de imprensa, nota sobre o momento atual do Brasil aprovada pelo Conselho Permanente, reunido de 8 a 10 deste mês, na sede da Conferência, em Brasília.
Na nota, a CNBB manifestou preocupações diante do momento atual vivido pelo país. “Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade”.
Ainda no texto, a Conferência recordou a necessidade de buscar, sempre, o exercício do diálogo e do respeito. “Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno”, declara em nota.
Confira a íntegra do texto:

NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO ATUAL DO BRASIL
“O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,18)
Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de março de 2016, manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento. Como afirma o Papa Francisco, “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).
Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade. A busca de respostas pede discernimento, com serenidade e responsabilidade. Importante se faz reafirmar que qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça.
A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível alimentar a crise econômica com a atual crise política. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar a governabilidade.
As suspeitas de corrupção devem ser rigorosamente apuradas e julgadas pelas instâncias competentes. Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social.
O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito.
Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno.
Inspirem-nos, nesta hora, as palavras do Apóstolo Paulo: “trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, tende o mesmo sentir e pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11).
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, continue intercedendo pela nossa nação!
Brasília, 10 de março de 2016.


Dom Sergio da Rocha                              Dom Murilo S. R. Krieger
    Arcebispo de Brasília-DF                     Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA
   Presidente da CNBB                         Vice-Presidente da CNBB
      Dom Leonardo Ulrich Steiner
         Bispo Auxiliar de Brasília-DF
          Secretário-Geral da CNBB

Cáritas e CNBB lançam campanha de solidariedade aos migrantes e refugiados

 

BRASILIA, 20 Jan. 16 / 12:30 pm (ACI).- Em consonância com o Ano da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira promovem como gesto concreto deste Jubileu uma campanha de solidariedade em prol dos migrantes e refugiados.

Os recursos arrecadados serão destinados a ações de sensibilização da sociedade quanto à importância da acolhida, solidariedade e ajuda humanitária a essas pessoas; de fortalecimento das iniciativas já existentes; e de apoio à criação de novos centros de acolhida, atendimento e promoção dos direitos humanos.

Servirá ainda para a criação de uma rede católica destinada a formar, integrar e fomentar o acolhimento, a proteção legal e a integração local de migrantes e refugiados em todo o Brasil, e de apoio a iniciativas correlatas desenvolvidas em outros países, por meio da Caritas Internacional.

As presidências da CNBB e da Cáritas publicaram uma carta, datada de 17 de janeiro, na qual recordam que, em todo o mundo, 60 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, migrando para outros países.

“No Brasil – sublinham – existem cerca de 2 milhões de estrangeiros, de forma regular ou irregular, sendo que 8.400 pessoas são reconhecidas como refugiados”.

Citando o Papa Francisco, a carta assinala que também “José, Maria e Jesus experimentaram a situação dramática dos refugiados, uma impressão de medo, de incerteza e de privações. Infelizmente, hoje, milhões de famílias podem rever-se nesta triste realidade”.
Além disso, ressaltam que, “na atualidade, o mundo convive com uma crescente descriminalização e criminalização de migrantes e refugiados, com aumento da vulnerabilidade e da violência”.

“Conclamamos as dioceses, paróquias, comunidades, congregações, colégios e todas as pessoas de boa vontade, para a realização de uma grande corrente de oração e coleta de solidariedade, em favor dos migrantes e refugiados”, exortam.

A carta completa da CNBB e da Cáritas Brasileira está disponível no site da campanha: http://caritas.org.br/refugiados-e-imigrantes.

A coleta de solidariedade será feita por meio das contas a seguir, a cargo da Cáritas Brasileira e em favor dos migrantes e refugiados.

Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta Corrente: 3735-5

Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta corrente: 32.792-1

A ressurreição de Cristo nos cristãos

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxR80Pbd2RoxMvQrlSz3Ylt2YMZ9ZjfsGS0wMLKr0uoqt8LxlbsCWhownk-R98mMg1I45PqamWZX-_-oAPL0wXqmsAhrPdwd_ySFz_C11lZSUw8kyJDVdje2x0upS4FQZowJrqLNYCm-sU/s1600/ressurrei%C3%A7%C3%A3o.jpgUm dos motivos que levaram Paulo a escrever aos Coríntios foi a questão da ressurreição dos mortos. Para os de cultura grega era difícil aceitar que os mortos pudessem voltar à vida. Negando a ressurreição dos mortos, negavam também a ressurreição de Cristo.

Em 1 Cor 15, Paulo trata desta questão. Inicia recordando o anúncio fundamental do Evangelho: Cristo morreu e ressuscitou. É isto que ele e os demais apóstolos anunciam. E as provas de que Cristo vive são os próprios apóstolos e muitos cristãos, aos quais Ele apareceu depois de ressuscitado.

Baseado nisso, Paulo tenta levar à fé os que duvidam, apresentando provas tiradas da Bíblia. Outros argumentos que confirmam a ressurreição dos mortos fazem parte do trecho que lemos na liturgia de hoje. O primeiro é o que mostra Cristo enquanto primícia dos que morreram. Primícias são os primeiros frutos a amadurecer. Depois deles, amadurecem os demais e vem a colheita. Portanto, os mortos ressuscitarão também, como Cristo ressuscitou. Dentro de cada cristão, há sementes de ressurreição semeadas por aquele que venceu a morte e confirmou a vitória da vida.

São Paulo contrapõe Adão a Cristo: o pecado do primeiro acarretou a morte para todos; a morte-ressurreição do segundo confere vida a todos. Se todos se solidarizaram em Adão em vista da fraqueza e do pecado, com sua morte e ressurreição, Cristo nos associou a si mesmo e a sua vida em plenitude. Por causa dele, fomos feitos cristãos, semelhantes a Cristo na vitória sobre a morte.

O segundo argumento é o da vitória de Cristo sobre todas as forças hostis às pessoas e ao projeto de Deus. Ele aniquilará todos os mecanismos de morte (soberania, poder e força), vencendo finalmente a morte, último inimigo, e entregando o Reino ao Pai, de modo que Deus seja tudo em todos. A vitória de Cristo, portanto, não será completa enquanto não vencer também naqueles que trazem o seu nome. Isto quer dizer que a luta contra a morte é tarefa conjunta de Cristo e dos cristãos. Só quando estes participarem da vida plena em Deus é que Cristo dará por encerrada sua missão.

Copa do Mundo Brasil 2014: Bispos levantam “cartão vermelho” ao Governo por gastos excessivos


BRASILIA, 06 Jun. 14 / 04:07 pm (ACI).- A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) levantou um simbólico “cartão vermelho” ao governo pelos gastos excessivos que se realizaram para a Copa do Mundo do Brasil 2014 que se inicia no próximo dia 12 de junho.
A Pastoral do Turismo da CNBB preparou um folder, disponível em português, inglês e espanhol, que está sendo distribuído nas Igrejas e nos aeroportos, hotéis e restaurantes das cidades sedes da copa, no qual se alerta sobre uma série de coisas que o governo tem feito para este evento esportivo.

CNBB e Cáritas Brasileira participam de campanha mundial contra a fome


Na celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, nesta terça-feira, 10, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, em consonância com a Cáritas Internacional, realizaram o lançamento da campanha "Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas". O lançamento ocorreu na sede da CNBB, em Brasília (DF).

A campanha, que se prorrogará até 2015, quer sensibilizar a sociedade para a reflexão sobre a realidade da fome, da

Bispos brasileiros criam Comissão de Acompanhamento da Reforma Política

(ACI).- A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na busca de exercer a sua missão Evangelizadora e ciente da necessidade de mudanças mais profundas e eficazes na realidade política Nacional, criou uma Comissão de Acompanhamento da Reforma Política, que será presidida por Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG).

No mês de outubro durante o Conselho Permanente da CNBB (Consep) entregou aos Bispos uma carta com o objetivo de informá-los sobre os últimos acontecimentos referentes à reforma e também de convocar a todos os bispos a acompanharem e participarem, em suas Dioceses e Regionais, do movimento que se iniciou recentemente na busca de assinaturas.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, o passo da realização de coletas de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, fará com que o Projeto tome grande valor ao ser levado para o Congresso Nacional, pois terá a participação direta da população civil.

O movimento que se iniciou recente mente foi nominado de Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, foi lançada no mês de setembro por 43 entidades da sociedade civil, com o objetivo de impulsionar uma campanha “cívica, unificada e solidária” para efetivar a Reforma Política e fortalecer os meios para alcançar a democracia direta com base nos seguintes pontos:
proibição do financiamento privado e instauração do financiamento público para as campanhas eleitorais; extinção do sistema de voto dado ao candidato individualmente nos casos de vereadores e deputados e adoção do sistema eleitoral do voto em listas pré-ordenadas constituindo o sistema ‘voto transparente’; regulamentação do artigo 14 da Constituição em favor da democracia direta; maior participação de populações sub-representadas nas instâncias políticas e partidárias; e outros.

A intenção é coletar mais de 1,5 milhão de assinaturas para que a proposta se torne um projeto de lei de iniciativa popular e, se for tratado rapidamente pelos congressistas, já possa valer para as eleições de 2014.

Nesta quarta-feira a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil entidades que integram a Coalizão Democrática promovem no dia 27 de novembro, o Dia Nacional de Coleta de Assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas.

Brasília (DF), será o centro da atenções hoje às 16h, pois haverá uma concentração dos participantes do movimento em frente ao Museu Nacional, onde em seguida todos sairão em direção a Rodoviária do Plano Piloto com o objetivo de coletar assinaturas para que o projeto de lei possa ser levado ao Congresso Nacional.

Durante o evento estarão presentes representantes das instituições que apoiam o movimento Coalizão. A Comissão de Acompanhamento da Reforma Política estará representada por seu presidente dom Joaquim Mol (bispo auxiliar de Belo Horizonte, MG). A CNBB estará representada por seu presidente, Dom Raymundo Damasceno Assis (arcebispo de Aparecida, SP).

Dom Mol afirma que a iniciativa também é uma oportunidade de se criar consciência de cidadania e participação popular.

Tarefa do bem comum

Dom Alfredo Schaffler
Bispo de Parnaíba (PI)
Os noticiários mostram, diariamente, os horrores e a gravidade da violência na sociedade contemporânea. Violências de todo tipo, que têm como agentes os jovens, muitos deles ainda adolescentes, que perdem o senso de responsabilidade, praticam crimes, arquitetam esquemas de corrupção.
Esse quadro de horror precisa ser diariamente enfrentado à luz da fé e do compromisso cidadão de cada um.
Neste horizonte, é importante investir na compreensão e na prática do princípio do bem comum, para despertar em cada mente o gosto pela conduta zelosa, pela justiça e verdade.
É imprescindível ensinar, nas escolas e famílias, nas igrejas e todas as instituições da sociedade, a respeito da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas.
Aí se inscreve o sentido do bem comum, com sua força para equilibrar todos os aspectos e relacionamentos na vida social.
Trata-se de uma aprendizagem permanente, que requer o anúncio desses princípios, sua prática com força de exemplaridade, a partir de gestos pequenos àqueles com propriedade para determinar novos rumos.
Na verdade, é uma grande caminhada para recuperar a configuração perdida do sentido social, da fraternidade e solidariedade.
O bem comum não consiste apenas na soma dos bens particulares de cada sujeito, sublinha a Doutrina Social da Igreja Católica.
Ela diz que “sendo de todos e de cada um, é e permanece comum, porque indivisível e porque somente juntos é possível alcançá-lo, aumentá-lo e conservá-lo em vista do futuro”.
O agir social alcança sua plenitude realizando o bem comum. Não se pode cansar na sua prática e no testemunho de sua prioridade. Presente o sentido do bem comum, imediatamente se vê a diferença qualitativa do agir em busca do bem de todos.
Na contramão, está tudo aquilo que causa prejuízo, desde um papel jogado displicentemente na rua até a montagem ardilosa de esquemas de corrupção.
O bem comum é a consciência de que a pessoa não pode encontrar plena realização somente em si mesma. Por isso, a Doutrina Social da Igreja também afirma que, “nenhuma forma expressiva de sociabilidade - da família ao grupo social intermédio, à associação, à empresa de caráter econômico, à cidade, à região, ao Estado, até a comunidade dos povos e nações - pode evitar a interrogação sobre o bem comum, que é constitutivo do seu significado e autêntica razão de ser da sua própria subsistência”.
Passo importante para cultivar um autêntico sentido do bem comum é compreender que a paz é dom de Deus e obra de cada pessoa, conforme sublinha o Papa Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.
Assim, não basta amedrontar-se diante da violência, mas crescer na consciência de ser um operário da paz.
Nesse sentido, o Papa observa que para nos tornemos autênticos e fecundos obreiros da paz, são fundamentais à atenção, à dimensão transcendente e ao diálogo constante com Deus.
Sem a dimensão transcendente e sem referência a Deus, certamente, mais difícil, por vezes impossível, é superar o egoísmo que adoece e nega a paz, tutela tipos de violência, bem como a avidez e o desejo de poder e domínio, além das intolerâncias, do ódio e das estruturas injustas que perpetuam abomináveis exclusões sociais.
Trabalhar pela paz é um fecundo processo educativo para o sentido autêntico do bem comum.
Para vivenciar este processo, é imprescindível uma grande abertura da mente e do coração para o Senhor da Paz, Jesus Cristo, o Salvador do mundo.
Firme na fé e fiquem com Deus.

Dom José Maria Maimone: Enxugar a missa


Dom José Maria Maimone
Bispo emérito de Umuarama (PR)

Alguns Padres deveriam filmar suas Missas, depois, calmamente e atenciosamente assistir.

O que eles veriam?

Veriam os fiéis conversando enquanto o comentarista lê a interminável lista de intenções. Veriam que ninguém acompanha a introdução do folheto indevidamente inflacionada pelos acréscimos cometidos pela equipe de liturgia, que acrescentam, por sua conta, inúmeras outras intenções.

Veriam uma procissão de entrada ao som de música barulhenta, cobrindo a voz dos cantores. Aliás, com um tom que só o coro canta, enquanto a assembléia permanece muda, pois não conhece os cantos.

Veriam que o ato penitencial fala de pecados estruturais e macro-injustiças, ataca as multinacionais e as políticas globalizantes, mas não fala das bebedeiras do marido nem da preguiça da esposa, não se refere à desobediência dos adolescentes nem à safadeza dos moçoilas.

Quando a assembléia canta piedade, piedade, piedade de nós, canta da boca pra fora, pois sabe muito bem que seus pecados são outros...

Primeira leitura: Moisés caminha pelas areias do deserto, sob o sol causticante, enquanto os jumentos do Egito babam de calor.

Ali, bem diante do altar, um velhinho cochila e baba também. Dois bebês (a quem as mamães deram os folhetos de missa para mascar) babam igualmente. Futuramente as alfaias incluirão babadouros para a assembléia.

Segunda leitura: Um leitor esforçado luta com os óculos para encontrar o foco adequado. O templo mal iluminado em nada ajuda em seu combate. O texto sai truncado, as frases sincopadas, as sílabas finais inaudíveis. A assembléia é salva pelo gongo. De pé, aplaudem o Livro Santo, enquanto o coral entoa um canto de Aclamação que não tem nenhuma aclamação. Por pouco não cantam: Ora, bolas!

O seu vigário lê o Evangelho. Tem boa voz, mas o volume do microfone está alto demais e alguns zumbidos de microfonia competem com a mensagem central.

Já sentados, os fiéis ouvem a homilia. Pela nave da igreja o que se vê: Dona Engrácia reza o terço, piedosa e contrita. Juca e Chico puxam as tranças de Dorotéia uma gracinha! Rafael, com menos de dois anos de idade, corre pelo corredor central, atraindo os olhares maternais das senhoras do Apostolado da Oração.

O pregador continua falando. Escapou do tema do Evangelho do dia e fez breves referências à Campanha da Fraternidade, à visita de Sua Excelência o Bispo diocesano, ao próximo Grito dos Excluídos, à campanha para construção da torre, além de pedir enfaticamente que se lembrem do dízimo no próximo domingo.

Percebe-se também que Dr. Edmundo não tira os olhos do relógio, pois já desconfia de que não terá tempo de ver a largada da corrida de Fórmula Um.

Então, Senhores Vigários, não precisam se preocupar em continuar avaliando, pois já deu para os Senhores terem plena convicção de que sua “liturgia” foi um desastre. Agora preparem-se para deitar. Talvez os Senhores consigam dormir...

As utopias da Bíblia

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados (MS)

Para Nietsche, do começo ao fim, a Bíblia não passa de uma coletânea de promessas não cumpridas. Eis um exemplo entre centenas de outros: «Criarei novos céus e nova terra. Dores passadas serão esquecidas, não voltarão mais à memória. Ao contrário, haverá alegria e exultação sem fim por tudo o que vou criar. Farei de Jerusalém a cidade da exultação e um povo cheio de alegria. Ali nunca mais se ouvirá a voz do pranto e o grito de dor. Ali não haverá crianças condenadas a poucos dias de vida, nem anciãos que não completem seus dias. Será considerado jovem quem morrer aos cem anos; e quem não alcançar cem anos, passará por maldito. Então acontecerá que, antes que me chamem, lhes responderei; ainda estarão falando e eu os atenderei. O lobo e o cordeiro pastarão juntos; assim como o boi, o leão também comerá palha. Não haverá dano nem morte em todo o meu santo monte» (Is. 65, 17-20.24-25).

Para quem olha as coisas superficialmente, Nietsche tem razão. O que se constata no mundo é o contrário do que sonhava Isaías e, com ele, dezenas de outros profetas que surgiram na face da terra prometendo paraísos terrestres. A começar da própria Jerusalém, dividida entre judeus e palestinos, o que hoje se vê em toda a parte é ganância, violência, injustiça e opressão. Aliás, já São Pedro previa que esta seria a reação normal de muita gente: «Nos últimos dias, surgirão pessoas que zombarão de tudo e se comportarão ao sabor de seus instintos, dizendo: “Não deu em nada a promessa de sua vinda. Desde que os nossos primeiros pais morreram, tudo continua como sempre, desde o princípio da criação”» (2Pd 3,4).

Para não nos enganarmos em assunto tão importante, é preciso ter presente a finalidade por que foi escrita a Bíblia. Foi o que São Paulo explicou em duas ocasiões. Primeiramente, na Carta aos Romanos: «Tudo o que foi escrito antes de nós o foi para a nossa instrução, para que, através da perseverança e da consolação que as Escrituras nos dão, mantenhamos viva a esperança» (Rm 15,4). A segunda, na Carta a Timóteo: «Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, corrigir, encaminhar e educar na justiça, a fim de formar e capacitar o homem de Deus para todo tipo de boas obras» (2Tm 3,16-17).

Portanto, seu objetivo não é de ser um manual de história da humanidade – nem mesmo do povo de Israel – e muito menos um livro de ciências naturais. Todas as vezes que alguém teve essa pretensão, quem ficou prejudicada foi a própria fé. De acordo com uma sentença atribuída a Galileu, «o que a Bíblia ensina não é como se formaram o céu e a terra, mas como da terra se vai para o céu».

Voltando ao texto de Isaías, devemos, então, admitir que ele também se equivocou ao fazer a sua profecia? A resposta seria afirmativa se pudéssemos inseri-lo no rol dos “messias” que, ao longo dos séculos, prometeram trazer o céu à terra. Até santos, como Tomás More – sem falar do Nazismo de Hitler e do Socialismo de Lenin – pensaram possível essa “utopia”, esquecendo que – como escreveu K. Popper – «a tentativa de criar o reino do céu na terra pode facilmente transformar a terra num inferno para todos».

Com isso, não se quer dizer que se deva ficar de braços cruzados, aceitando todos os males como vontade de Deus. Muito pelo contrário, por ser amor, o que Deus quer é o bem e a felicidade de seus filhos. Mas, «o Deus que te criou sem pedir a tua ajuda, nada fará sem a tua colaboração», ensinava Santo Agostinho. Caminhando e trabalhando juntos, Deus e o homem, é que se constrói o mundo que ambos desejam. Se um dos dois se omite, nada acontece. Pior ainda quando o homem tenta construir a história sem Deus. É então que se verifica o que disse Jesus: «Quem não recolhe comigo, dispersa» (Mt 12,30).

Por tudo isso, a melhor conclusão é a que chegou o Concílio Vaticano II, em 1965: «A esperança de uma nova terra, longe de atenuar, deve antes impulsionar a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. Nela cresce o Corpo da nova família humana, que já pode apresentar algum esboço do mundo futuro. Por isso, ainda que o progresso terreno deva ser cuidadosamente distinguido do crescimento do Reino de Cristo, contudo é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para organizar a sociedade humana».

São Paulo, homem de fé

Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

No dia 25 de janeiro, a Arquidiocese de São Paulo comemora a festa de seu Patrono, o Apóstolo São Paulo. No Ano da Fé, convém voltar para São Paulo um olhar especial, para perceber nele o homem de fé e a testemunha firme e qualificada de Cristo.

A sua fé, enquanto fariseu zeloso, talvez era a do estudioso das Escrituras, do intelectual, que procurava entender a letra dos testemunhos dos antepassados; era um encarregado intransigente de zelar pela prática intransigente e sem desvios de tudo o que se prescrevia na religião. Ele mesmo escreve que era zeloso mais que ninguém (cf Fl 3,6). Mas com o zelo dessa religiosidade formal, ele perseguiu os cristãos, que considerava desviados da fé (cf At 9,1-2). Mas, qual fé?!

Às portas de Damasco, ele teve o encontro inesperado com Cristo, em pessoa, que lhe fala: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Suas convicções são sacudidas por aquela voz. Sua fé estava baseada na letra; agora, a letra tem voz e se revela como pessoa! “Quem és tu, Senhor?” (At 9,5). A fé muda de base: das doutrinas e preceitos, passa a se confrontar com Aquele que lhe fala e sobre quem versam doutrinas e letras.

Saulo tem a experiência marcante de sua fé cristã: o encontro pessoal com Aquele mesmo, que estava perseguindo e queria combater. Compreende e se entrega: “que devo fazer, Senhor?” (cf At 22,10). Está disposto a aprender tudo de novo; e será o que vai fazer, na escola de Gamaliel e no seu retiro de três anos “na Arábia”, como ele mesmo informa (cf Gl 1,17). Saulo já é “Paulo”, que significa “pequeno”, humilde.

E a imensa energia de seu caráter será posta, agora, inteiramente a serviço de Cristo, que teve misericórdia dele e o alcançou... A experiência do perdão, da misericórdia alcançada e da escolha que Cristo fez dele para ser apóstolo e missionário do Evangelho entre os povos não saem mais de sua cabeça e fazem seu coração transbordar: “Ele me amou e por mim se entregou!” (cf Cl 2,20)!

Uma vez encontrado e reconhecido Jesus Cristo, Paulo aposta sua vida inteiramente nele: “para mim, o viver é Cristo”. Não lhe interessam mais as glórias deste mundo, nem mede esforços e fadigas para anunciar o nome de Cristo entre os povos, tentando atraí-los para Ele, para terem, como ele teve, a experiência do encontro e do perdão. A fé, para ele, não será mais algo abstrato, mas referida à pessoa de Jesus Cristo, que lhe abriu todos os tesouros da compreensão e da graça.

A fé, para Paulo, é adesão viva e firme à pessoa de Jesus e, por meio dele, à pessoa de Deus. Essa adesão é perseverante, mesmo no meio das maiores dificuldades e provações, que deve enfrentar por causa de Cristo. Finalmente, essa fé mantém-se firme também nas prisões, torturas e no martírio.

Para Paulo, a fé, é um novo modo de compreender o mundo, a vida, a conduta humana. A fé torna sábio “em Cristo”, leva a um “estar com Cristo”, a “viver de Cristo”, a esperar com firme confiança e a obedecer a Deus, por meio de Cristo. A fé significa para Paulo uma participação na vida, na morte e na ressurreição com Cristo. A fé é dom recebido e acolhido com gratidão e correspondido com coerência e conversão constante.

Como apóstolo e missionário, ele “gera filhos na fé” e os educa no Evangelho; suas cartas testemunham de maneira abundante esse zelo paternal em relação às diversas comunidades que tiveram origem com sua pregação e ação missionária. As recomendações a Timóteo e a Filémon mostram as qualidades de seu coração de pai e educador na fé. Aproximando-se do martírio, ele pode dizer com serenidade: “completei a minha corrida, guardei a fé!” (2Tm 4,7).

Olhando para este Apóstolo, sentimo-nos encorajados a imitar seu exemplo de homem de fé, de testemunha de Cristo. Muitos outros, em tempos difíceis ao longo da história do Cristianismo, inspiraram-se nele e ajudaram a Igreja a recobrar ânimo e nova vitalidade missionária. Tempos de “nova evangelização”, como os que vivemos, requerem a mesma atitude... Olhemos para o exemplo de São Paulo e peçamos sua intercessão.

Quem nos vai trazer a paz?


Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)
No início do novo ano, brotam de todos os lábios espontâneos e efusivos votos de felicidade e de paz. Nada mais normal, pois olhamos para o futuro com esperança e gostaríamos que os males e tragédias do passado não nos acompanhassem na passagem para o tempo novo.
De onde, porém, nos pode vir a paz? Como nós imaginamos a paz? Guardada em algum lugar, embalada e prontinha para nosso uso e consumo? Ou, talvez, ela dependa da invocação de “bons fluidos”, de alguma energia cósmica, a ser acordada e atraída com o foguetório bonito, mas extremamente poluidor, da meia noite de 31 de dezembro? Depende das boas graças de divindades, donas da paz, que nos podem conceder, se bem quiserem, um pouquinho dela?

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”


A Conferência Nacional dos bispos do Brasil, logo após a conclusão do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, emitiu nota oficial  lamentando a decisão. No texto, os bispos afirmam que "Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso".
Leia a integra da Nota:

Mulheres ricas e pecados do poder


Dom Genival SaraivaBispo de Palmares - PE

“Os não-judeus se alegraram, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna abraçaram a fé. Deste modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas e os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território. Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira

A bíblia, Maria e os jovens


Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

Ao iniciarmos o mês da Bíblia deste ano, quando somos chamados a contemplar a experiência do deserto do povo de Deus que caminhou da escravidão para a terra prometida, a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebe a imagem peregrina da Virgem de Nazaré. Portanto, iniciaremos o mês da Bíblia com aquela que colocou em prática a Palavra de Deus em sua vida (“Faça-se em mim...”). Maria é o grande sinal que temos de alguém que acreditou no Senhor e deixou-se conduzir pela Sua vontade.  Como consequência gerou, para nossa salvação, Cristo, o Senhor.

Os novos Moisés

Dom Murilo S. R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil - BA

A Bíblia é, ao mesmo tempo, o livro que nos revela os passos de Deus à procura do ser humano e o livro que apresenta as respostas do ser humano às propostas divinas. Cada pessoa ou comunidade tem muito a aprender com aqueles que exerceram missões na história da salvação. Somos convidados a olhar para suas virtudes, para imitá-los; a tomar conhecimento de suas fraquezas, para não repetirmos seus erros. De poucos personagens bíblicos temos a aprender tanto como de Moisés – ele que libertou os hebreus da escravidão egípcia, que lhes deu a Lei, promulgada no monte Sinai, e que os conduziu até a Terra Prometida.

A uva dos mendigos

Bispo de Macapá (AP)
Dom Pedro José Conti

Três mendigos encontraram uma moedinha no chão. Imediatamente surgiu uma disputa para decidir como gastá-la. O primeiro disse:
- Eu quero alguma coisa doce. Sou louco por doces!
– Nem pensar – gritou o segundo - eu estou morrendo de fome. Preciso de alguma coisa para encher o meu estomago.

É esforço, esperteza ou dom?

Dom Aloísio Roque Oppermann
Arcebispo de Uberaba (MG)

Com grande sabedoria o Concílio encorajou a Igreja a estabelecer diálogo com o mundo moderno, e com as grandes religiões. Houve enormes tentativas. Mas até parece que, quanto maiores os esforços, menores os resultados. Vejamos só o gigantesco esforço desse homem aberto, que foi João Paulo II. Diante de erros históricos, cometidos por homens da Igreja, como o processo de Galileu, a inquisição  espanhola, certas guerras de religião, o Papa pediu

O problema do mal

Dom Murilo Krieger
 Arcebispo de Salvador da BA
SALVADOR, terça-feira, 26 de julho de 2011 (ZENIT.org) - "Você acredita em Deus?" Com essa pergunta, a jornalista terminava uma longa entrevista com um conhecido esportista nacional. A resposta que ele lhe deu chamou minha atenção, porque expressa o que muita gente pensa a respeito do problema do mal. O drama e a angústia do esportista são a angústia e o drama de inúmeras pessoas, em situações, épocas e lugares diferentes: "É difícil dizer que acredito em Deus. Quanto mais desgraças vejo na vida, menos acredito em Deus.

Jovens "enraizados em Cristo"


Cardeal Odilo Scherer
Arcebispo de São Paulo-SP

SÃO PAULO, terça-feira, 26 de julho de 2011 (ZENIT.org) - Aproxima-se a Jornada Mundial da Juventude da Espanha. A partir de 10 de agosto, jovens de todos os países do mundo chegarão às dioceses espanholas para participar da pré-jornada; serão acolhidos pelos jovens espanhóis e, com eles, compartilharão experiências, a alegria da mesma fé e a pertença à Igreja de Cristo; tudo, numa grande variedade de línguas, culturas e tradições, mas irmanados na mesma Família de Deus.

Opção radical e entrega total

Estamos ouvindo nestes domingos de julho a leitura da série de parábolas mais significativas sobre o reino dos céus narradas por São Mateus. No domingo de hoje, ouviremos as três últimas: do tesouro, da pérola e da rede de pesca, lidas em Mateus 13,44-52.