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O Preço de um Filho

capaO governo americano calculou recentemente o custo para criar um filho, do seu nascimento aos 18 anos, e chegou a R$ 80.000 a 90.000 para uma família de classe média. O valor é chocante! E esse valor não cobre a formação escolar.
Mas R$ 80.000 a 90.000 não é tão ruim assim, se você parcelá-lo. Ele se traduz em: R$ 4.981,08 por ano, R$ 415,09 por mês, R$ 103,72 por semana. E meros de R$ 13,39 por dia. Cerca de um R$ 0,55 por hora.
O que você ganha com R$ 80.000 a 90.000? Direito de dar nomes. O primeiro, o do meio e o último. Olhares de Deus todos os dias. Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites. Mais amor do que seu coração pode suportar. Beijos jogados no ar e abraços com velcro. Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens e biscoitos.
Uma mão para segurar, normalmente suja de geleia ou chocolates. Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas. Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas se comportaram nesse dia.
Por R$ 80.000 ou 90.000, você não precisará crescer nunca. Você deve: Ter os dedos sujos de tinta, modelar abóboras, brincar de esconde-esconde, pegar vaga-lumes, e nunca parar de acreditar em Papai Noel.
Você terá uma desculpa para…
Continuar a ler as Aventuras do Ursinho Puff, assistir desenhos animados ao sábado pela manhã. Assistir filmes da Disney, e fazer pedidos a estrelas.
Você recebe molduras de arco-íris, de corações ou flores sob imãs de geladeira ; conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais.
Por R$ 80.000 ou 90.000 , não há outro jeito mais fácil de ficar famoso. Você é um herói apenas por…
Recuperar um gatinho do telhado da garagem, retirar as rodinhas da bicicleta, remover uma farpa, encher uma piscina de plástico, fazer bola de chiclete sem estourar e treinar um time de futebol que nunca vence mas sempre recebe sorvete de prêmio.
Você tem lugar na primeira fila da “história” como testemunha … dos primeiros passos, das primeiras palavras, do primeiro sutiã, do primeiro namoro, e da primeira vez atrás do volante de um carro.
Você fica imortal.
Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.
Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar. Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus. Você tem poder para curar um choro, espantar os monstros que estão debaixo da cama, remendar um coração partido, policiar uma festa sonolenta, cultivá-los sempre e amá-los sem limites. E assim algum dia, eles como você, amarão sem medir os custos. É um excelente negócio por esse preço!!!!
Ame e curta seus filhos e netos e bisnetos!!!!!!!
É o melhor investimento que você fará.
(Desconheço autor)

Educar pela vida familiar





O Papa Francisco, atento às dinâmicas da cultura contemporânea e após a realização de dois sínodos, traz pertinente interpelação com a Exortação Apostólica sobre o amor na família, Amoris Laetitia. Com sua extraordinária sensibilidade humana e a partir da escuta do mundo católico, Francisco mostra que a grande meta é reavivar a consciência sobre a importância do matrimônio e da família. Desafio complexo que não permite tratamento superficial. São necessárias ações bem fundamentadas para não se correr o risco de obscurecer ou anular o determinante e indispensável papel da família – lugar da educação por excelência – particularmente essencial neste momento, quando se precisa configurar novo tecido cultural. E isso é imprescindível para a superação das crises muito desafiadoras, nos âmbitos da ética, política, economia e instituições.

A Igreja, na unidade de doutrina e práxis, acolhe a indicação de que, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais atentas às tradições e aos desafios locais. Longe de qualquer tipo de permissividade, o caminho é se debruçar sobre culturas diferentes, considerando a pluralidade que caracteriza cada sociedade. Essa tarefa exige acuidade, empenhos e profunda espiritualidade. Por isso, o Papa Francisco recoloca, com destaque, alguns caminhos pastorais que levam à construção de famílias sólidas, fecundas segundo o plano de Deus, com especial luz sobre a educação dos filhos.

Não há mais tempo a perder diante da necessidade de se investir na família, referência singular com propriedades para edificar nova cultura humanística e espiritual que permita superar o atual momento social e político. Há uma complexidade própria na realidade da família, que precisa ser adequadamente compreendida e tratada. Para isso, as jaulas do egoísmo e da mesquinhez devem ser evitadas. Essas prisões nascem de individualismos perversos e da consequente perda de capacidade para gestos altruístas, indispensáveis na vida de todos, especialmente no exercício da cidadania. Em questão, portanto, está o desafio de se compreender, em profundidade, a importância da família.

O desvirtuamento dos laços familiares é um real perigo alimentado por uma exasperada cultura individualista que pode parecer atraente, mas é caminho para prejuízos irreversíveis. É preciso conhecer mais profundamente a realidade familiar para não se negociar o inegociável. A liberdade de escolha, sublinha o Papa Francisco, permite a cada pessoa projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas se não houver objetivos nobres e disciplina, se degenera numa incapacidade para a doação. O entendimento de que a liberdade individual garante o direito de julgar a partir de parâmetros próprios, como se não houvesse verdades, valores e princípios diferentes, é problemático. Cria a convicção de que tudo, desde que atenda ao interesse particular, é permitido. Contribui para que entendimentos sobre o matrimônio sejam achatados por conveniências e caprichos.

Há um percurso longo para resgatar valores que foram perdidos. Sem essas referências, continuarão a surgir descompassos e a humanidade sofrerá com a perda de rumos. A trajetória a ser seguida exige entendimentos, recomposições e a necessária capacitação para a vivência de valores éticos e morais. E a família é, indiscutivelmente, a primeira escola desses valores. Lugar em que se aprende o bom uso da liberdade. A Exortação Apostólica lembra que há inclinações maturadas na infância que impregnam o íntimo de uma pessoa e permanecem pelo resto da vida como tendência favorável a um valor ou como uma rejeição espontânea de certos comportamentos.

O aprendizado ético e moral no contexto educativo inigualável da família sustenta a vida, permeia atos e escolhas. Somente a instituição familiar tem propriedades para cumprir certas tarefas e metas na formação das pessoas, em razão de sua particular capacidade para alcançar e fecundar corações. De modo especial, é âmbito da socialização primária, em meio aos afetos mais profundos e tocantes, que possibilitam a aprendizagem da reciprocidade, do relacionar-se com o outro. Capacita para a escuta, a partilha, o respeito, a ajuda e a convivência.

A humanidade é convidada a compreender e a investir na força educativa da família, criando condições sociopolíticas, humanísticas e espirituais para que essa escola primeira seja qualificada e se mantenha como vetor para as grandes mudanças.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo de Belo Horizonte