As declarações do Arcebispo Becciu se dão apenas alguns dias depois
do encontro entre o Papa Francisco e o Padre Gustavo Gutierrez, teólogo
peruano considerado como um dos pais da controvertida teologia da
libertação. Este encontro ocorreu a pedido do Prefeito da Congregação
para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Muller.
Na entrevista publicada ontem no jornal italiano e em que o Prelado
fala sobre o discurso do Papa deste domingo em Cagliari (Itália), Dom
Becciu disse que o Santo Padre "nunca aceitou a teologia da libertação
entendida no sentido ideológico e foi severo com os que queriam
transformar a Igreja em uma ONG. Isto o leva a gritar com mais autoridade contra as injustiças do capitalismo selvagem".
Dom Becciu disse também que "foi clara a sua crítica (do Papa) a um
sistema econômico e financeiro onde prevalece o ídolo do dinheiro e que
pelo proveito está disposto a tudo, a sacrificar os direitos
fundamentais".
O Prelado explicou logo que "a verdadeira teologia da libertação é a
que também a Igreja adotou e aprovou: a teologia em que Deus está em
primeiro lugar e busca defender os pobres fazendo-se expressão da
solidariedade e do esforço dos católicos".
Para Dom Becciu, o discurso do Santo Padre é essencialmente
cristológico: "a salvação total frente a Jesus. Quem tem deve
compartilhar e investir: o caminho inteligente de quem atua da maneira
adequada. Falar de pauperismo empobrece o discurso. É a Doutrina Social
da Igreja: o dinheiro não pode ser a meta".
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